A NASA lançou neste domingo (30) o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, um dos mais importantes observatórios espaciais já desenvolvidos pela agência. O lançamento ocorreu às 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Pouco mais de 30 minutos depois da decolagem, às 8h57, o telescópio se separou do segundo estágio do foguete e passou a viajar de forma autônoma pelo espaço.
Uma visão ampla do Universo
O Roman foi projetado para observar grandes regiões do céu de uma só vez. Seu campo de visão será pelo menos 100 vezes maior que o do Telescópio Espacial Hubble, mantendo uma resolução semelhante em determinadas observações.
O principal instrumento do observatório será uma câmera infravermelha de 300 megapixels. Cada imagem poderá registrar uma área do céu equivalente a aproximadamente uma vez e meia o tamanho aparente da Lua cheia.
Durante sua missão, o Roman poderá observar bilhões de galáxias e ajudar os astrônomos a estudar a evolução do Universo em uma escala nunca alcançada anteriormente.
Investigando os maiores mistérios cósmicos
Um dos principais objetivos do telescópio será investigar a energia escura, fenômeno associado à expansão acelerada do Universo. Para isso, o Roman observará galáxias distantes e explosões estelares conhecidas como supernovas do tipo Ia.
O observatório também estudará a matéria escura, uma forma invisível de matéria cuja presença é percebida pelos efeitos gravitacionais que provoca sobre estrelas e galáxias.
Além disso, o Roman vai pesquisar:
•Exoplanetas;
•Buracos negros;
•Galáxias distantes;
•Estrelas em explosão;
•Discos onde novos planetas estão se formando;
•Objetos localizados nas regiões externas do Sistema Solar.
Um novo caçador de exoplanetas
A NASA espera que o Roman identifique mais de 100 mil novos exoplanetas ao observar pequenas quedas no brilho das estrelas causadas pela passagem de planetas à sua frente.
O telescópio também poderá encontrar cerca de mil planetas por meio de microlentes gravitacionais, técnica que detecta pequenas alterações na luz de estrelas distantes provocadas pela gravidade de um planeta.
Outro instrumento do Roman será capaz de bloquear parte do brilho das estrelas, permitindo a observação direta de alguns exoplanetas gigantes e de discos protoplanetários.
Destino é o mesmo do telescópio James Webb
Após o lançamento, o Roman seguirá para o segundo ponto de Lagrange do sistema Sol-Terra, conhecido como L2, localizado a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra.
O Telescópio Espacial James Webb também opera nessa região. No entanto, os dois observatórios ficarão em órbitas diferentes e suficientemente afastadas.
A posição no L2 permitirá que o Roman mantenha uma visão estável do espaço profundo e utilize pouco combustível para permanecer em sua trajetória.
Missão deve durar pelo menos cinco anos
A missão principal do Roman foi planejada para durar cinco anos, com possibilidade de extensão para até dez anos, dependendo das condições do observatório e da quantidade de combustível disponível.
Antes de iniciar as observações científicas, o telescópio passará por aproximadamente três meses de ajustes, testes e calibrações. A NASA espera divulgar as primeiras imagens científicas do Roman no início de 2027.
Os dados obtidos pelo telescópio serão disponibilizados publicamente após o processamento, permitindo que pesquisadores de diferentes países estudem os mesmos dados.
O observatório recebeu o nome de Nancy Grace Roman, primeira astrônoma-chefe da NASA e uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do Hubble. Por sua contribuição à astronomia espacial, ela ficou conhecida como a “mãe do Hubble”.
Com o lançamento do Roman, a NASA inicia uma nova etapa na exploração do cosmos. Enquanto o James Webb observa o Universo com grande detalhe, o Roman terá a missão de produzir enormes mapas do céu e encontrar fenômenos que poderão ser estudados mais profundamente por outros telescópios.
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